População de Portugal 2025: 11,4 milhões, com 14% de estrangeiros (dados oficiais do INE)

Portugal terminou 2025 com 11 424 031 residentes, segundo as Estimativas de População Residente divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 22 de junho de 2026. O número confirma um país que continua a crescer apesar do saldo natural negativo, sustentado por uma transformação demográfica profunda: 1 597 539 pessoas, equivalentes a 14% da população, têm nacionalidade estrangeira, mais do que o dobro registado quatro anos antes. Esta análise compila e interpreta os dados oficiais publicados pelo INE no destaque "Estimativas de População Residente – 2025", com leitura estratégica para quem vive, planeia mudar-se ou investir em Portugal.
Resumo executivo: o que os dados do INE revelam em 2025
- População total: 11 424 031 residentes (mais 36 809 do que em 2024, variação de +0,32%).
- Saldo natural: -34 053 (continuam a morrer mais pessoas do que as que nascem).
- Saldo migratório: +70 862 (responsável por todo o crescimento populacional).
- População estrangeira: 1 597 539 pessoas, 14% do total, mais 59 113 que em 2024.
- Crescimento 2021–2025: a comunidade estrangeira passou de 748 155 para quase 1,6 milhões, um aumento de +113,5%.
- Idade mediana: 45,8 anos (estrangeiros: 34,4 homens / 34,8 mulheres).
- Índice de envelhecimento: 188,8 idosos por cada 100 jovens.
População residente atinge 11,4 milhões em 2025
Em 31 de dezembro de 2025, o INE estimou a população residente em Portugal em 11 424 031 pessoas, sendo 5 587 729 homens e 5 836 302 mulheres. Trata-se do quinto ano consecutivo de crescimento populacional, embora a um ritmo claramente mais moderado do que no triénio anterior, no qual o país acumulou aumentos populacionais excecionais: +330 587 em 2022, +274 643 em 2023 e +182 875 em 2024. Em 2025, o acréscimo limitou-se a 36 809 pessoas (+0,32%), o valor mais baixo do ciclo.
conjunto do período 2021–2025, a população cresceu 824 914 pessoas, o equivalente a 7,8%. É uma alteração estrutural relevante para um país que, durante a década anterior, conviveu com perda demográfica e saídas líquidas de jovens qualificados.
Por que Portugal cresce mesmo com mais óbitos que nascimentos
O crescimento é integralmente migratório. Entre 2022 e 2025, o saldo natural foi sistematicamente negativo, oscilando entre -32 645 e -40 690 por ano. A diferença foi compensada por saldos migratórios excecionais: 371 277 em 2022, 307 288 em 2023, 216 629 em 2024 e 70 862 em 2025. A taxa de crescimento migratório de 2025 ficou em 0,62%, contra uma taxa de crescimento natural de -0,30%. Sem imigração, a população portuguesa estaria a contrair.
Tabela 1. Evolução da população residente em Portugal (2021–2025)
| Indicador | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| População total | 10 599 117 | 10 929 704 | 11 204 347 | 11 387 222 | 11 424 031 |
| Variação anual (n.º) | — | +330 587 | +274 643 | +182 875 | +36 809 |
| Saldo natural | — | -40 690 | -32 645 | -33 754 | -34 053 |
| Saldo migratório | — | +371 277 | +307 288 | +216 629 | +70 862 |
| População estrangeira | 748 155 | 1 074 245 | 1 350 174 | 1 538 426 | 1 597 539 |
| % de estrangeiros | 7,1% | 9,8% | 12,1% | 13,5% | 14,0% |
Envelhecimento continua, mas a base ativa reforça-se
O retrato etário de Portugal continua marcado pelo envelhecimento, ainda que com uma nuance importante. Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens (0 a 14 anos) recuou de 13,0% para 12,4%. A população idosa (65 ou mais anos) manteve-se relativamente estável, em torno de 23%. A novidade está na população em idade ativa (15 a 64 anos), que subiu de 63,7% para 64,3%, beneficiando diretamente dos fluxos migratórios recentes, que tendem a concentrar-se nesta faixa.
O índice de envelhecimento chegou a 188,8 idosos por cada 100 jovens (era 178,3 em 2021). A idade mediana da população residente caiu para 45,8 anos (face a 46,1 em 2021), uma descida ligeira mas significativa, sobretudo porque a mediana masculina baixou 0,8 anos (de 44,4 para 43,6). A pirâmide etária mantém o estreitamento da base, mas ganha volume nas faixas dos 25 aos 44 anos, traço típico de países que recebem imigração jovem em volume relevante.
Distribuição regional: o Algarve lidera o crescimento
O Norte continua a ser a região mais populosa, com 3 790 554 residentes (33,2% do total). Seguem-se a Grande Lisboa (2 415 261; 21,1%) e o Centro (1 771 259; 15,5%). O crescimento entre 2021 e 2025 foi, contudo, particularmente intenso nas regiões mais atrativas para migrantes internos e internacionais: Algarve (+13,8%), Península de Setúbal (+12,8%), Grande Lisboa (+10,6%) e Oeste e Vale do Tejo (+9,7%).
14% da população é estrangeira: o salto demográfico mais marcante
A fotografia mais reveladora do INE é, sem dúvida, a da nacionalidade estrangeira. Em 2025, viviam em Portugal 1 597 539 estrangeiros, 913 249 homens (57,2%) e 684 290 mulheres (42,8%). Quatro anos antes, eram 748 155. O crescimento absoluto, de 849 384 pessoas (+113,5%), é o maior alguma vez registado num período tão curto e empurrou o peso desta população de 7,1% para 14,0% do total nacional.
A composição também mudou: 89,5% dos estrangeiros são nacionais de países Extra-UE (1 429 239 pessoas), enquanto os cidadãos de Estados-Membros da União Europeia representam apenas 168 300. É uma inversão clara da matriz histórica, dominada até há pouco por comunidades europeias do Reino Unido, França ou Alemanha.
Tabela 2. Top 15 nacionalidades estrangeiras em Portugal (2021 vs 2025)
| País | N.º 2021 | % 2021 | N.º 2025 | % 2025 | Variação n.º | Variação % |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Brasil | 278.109 | 37.2% | 574.195 | 35.9% | +296.086 | +106.5% |
| Angola | 33.099 | 4.4% | 103.140 | 6.5% | +70.041 | +211.6% |
| Índia | 37.914 | 5.1% | 93.683 | 5.9% | +55.769 | +147.1% |
| Cabo Verde | 36.066 | 4.8% | 76.099 | 4.8% | +40.033 | +111.0% |
| Nepal | 24.013 | 3.2% | 56.866 | 3.6% | +32.853 | +136.8% |
| Bangladeche | 17.163 | 2.3% | 56.724 | 3.6% | +39.561 | +230.5% |
| Guiné-Bissau | 25.660 | 3.4% | 53.555 | 3.4% | +27.895 | +108.7% |
| Ucrânia | 27.507 | 3.7% | 47.514 | 3.0% | +20.007 | +72.7% |
| São Tomé e Príncipe | 12.875 | 1.7% | 46.731 | 2.9% | +33.856 | +263.0% |
| Paquistão | 12.573 | 1.7% | 39.638 | 2.5% | +27.065 | +215.3% |
| Reino Unido | 27.150 | 3.6% | 38.640 | 2.4% | +11.490 | +42.3% |
| Itália | 22.530 | 3.0% | 32.784 | 2.1% | +10.254 | +45.5% |
| França | 21.690 | 2.9% | 26.549 | 1.7% | +4.859 | +22.4% |
| China | 20.150 | 2.7% | 23.439 | 1.5% | +3.289 | +16.3% |
| Alemanha | 12.497 | 1.7% | 21.635 | 1.4% | +9.138 | +73.1% |
Brasil consolida-se como a maior comunidade estrangeira
Com 574 195 residentes, os brasileiros representam 35,9% de toda a população estrangeira em Portugal. A comunidade mais do que duplicou desde 2021 (+106,5%, mais 296 086 pessoas) e cresce a um ritmo que coloca o Brasil em posição estruturalmente distinta de qualquer outra nacionalidade. Para quem prepara mudança a partir do Brasil, este dado tem duas consequências práticas: redes comunitárias densas e maturidade de serviços jurídicos, escolares e de saúde adaptados a esta presença.
Angola, Índia e Cabo Verde: os outros pilares
A nacionalidade angolana passou a ser a segunda maior comunidade estrangeira, com 103 140 residentes (6,5% do total), três vezes mais do que em 2021. A Índia ocupa o terceiro lugar com 93 683 pessoas, multiplicando por 2,5 a presença anterior. Cabo Verde mantém-se entre as nacionalidades históricas, com 76 099 residentes. As variações mais explosivas em termos percentuais ocorreram, contudo, em comunidades emergentes: São Tomé e Príncipe (+263%), Bangladeche (+230%), Paquistão (+215%) e Angola (+212%).
Onde vivem os estrangeiros: Lisboa concentra mais de um terço
A Grande Lisboa concentra 546 419 estrangeiros (34,2% do total), com 22,6% da sua população regional já composta por residentes não portugueses. A região Norte, com 311 095 estrangeiros (19,5% do total), surge como o segundo polo. Juntas, estas duas regiões representam 53,7% da população estrangeira do país. No outro extremo da escala, o Algarve apresenta o maior peso relativo de estrangeiros sobre a população local: 27,9%, ou seja, quase três em cada dez residentes do Algarve não têm nacionalidade portuguesa.
Tabela 3. População estrangeira por região NUTS II (2021 vs 2025)
| Região | Estrangeiros 2021 | % pop. da região | Estrangeiros 2025 | % pop. da região | Variação n.º |
|---|---|---|---|---|---|
| Norte | 119.572 | 3.3% | 311.095 | 8.2% | +191.523 |
| Centro | 72.539 | 4.4% | 185.847 | 10.5% | +113.308 |
| Oeste e Vale do Tejo | 50.124 | 6.1% | 120.921 | 13.4% | +70.797 |
| Grande Lisboa | 286.875 | 13.1% | 546.419 | 22.6% | +259.544 |
| Península de Setúbal | 75.235 | 9.1% | 171.688 | 18.3% | +96.453 |
| Alentejo | 35.035 | 7.2% | 71.309 | 13.9% | +36.274 |
| Algarve | 97.580 | 19.2% | 161.556 | 27.9% | +63.976 |
| R.A. Açores | 3.772 | 1.6% | 9.333 | 3.8% | +5.561 |
| R.A. Madeira | 7.423 | 2.9% | 19.371 | 7.3% | +11.948 |
Fonte oficial dos dados
Todos os números citados nesta análise constam do destaque Estimativas de População Residente em Portugal — 2025, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística. Consulte a pesquisa integral, com quadros detalhados por nacionalidade, sexo, idade e região, diretamente no portal oficial: ine.pt — Estimativas de População Residente.
Pirâmide etária: a imigração rejuvenesce o país
A pirâmide etária da população estrangeira é radicalmente distinta da pirâmide total. Entre os residentes de nacionalidade não portuguesa, 86,1% estão em idade ativa (15–64 anos), 8,9% são jovens e apenas 5,0% têm 65 ou mais anos. A concentração nas idades ativas cresceu 3,6 pontos percentuais desde 2021. A idade mediana situa-se em 34,4 anos para os homens e 34,8 para as mulheres — mais de uma década abaixo da mediana nacional. É este perfil que sustenta o sistema contributivo português e amortece os efeitos do envelhecimento.
Leitura estratégica para quem planeia viver, trabalhar ou investir em Portugal
Os números do INE consolidam uma realidade que tem implicações práticas para diferentes perfis:
- Candidatos a residência: a procura por habitação, escolas e serviços de saúde cresce nas mesmas regiões onde a comunidade estrangeira se concentra. Antecipação de logística (NIF, abertura de conta, escolaridade dos filhos) deixou de ser um diferencial e passou a ser pré-requisito.
- Profissionais qualificados: o reforço da população em idade ativa não significa saturação do mercado. Sectores como tecnologia, saúde, hotelaria, construção civil e cuidados continuados continuam estruturalmente deficitários.
- Investidores e empresários: Algarve e Península de Setúbal são os territórios de maior intensidade de transformação demográfica recente, com pressão sobre habitação e serviços. Norte e Centro oferecem custos relativos mais baixos com infraestrutura crescente.
- Famílias brasileiras: a maturidade da comunidade (574 mil residentes) reduz fricção cultural, mas torna mais relevante o assessoramento jurídico individualizado, sobretudo em pedidos de nacionalidade derivados de ligação efetiva à comunidade portuguesa.
O que esperar para 2026 e 2027
A travagem do saldo migratório (de 216 mil em 2024 para 70 mil em 2025) reflete tanto saturação cíclica quanto o aperto regulamentar em curso no país. É plausível que o crescimento populacional volte a ficar mais próximo de zero nos próximos dois anos, em particular se o saldo natural continuar negativo na mesma ordem de grandeza. Para os planos pessoais de migração ou cidadania, o calendário regulamentar e administrativo passa a ter peso decisivo: janelas de elegibilidade fecham-se com mais rapidez do que o ritmo natural de planeamento familiar permite.
Como o Studio Cidadania pode apoiar
Os dados confirmam: Portugal recebe mais pessoas, mas também aperta critérios. Cada perfil exige uma estratégia distinta — nacionalidade por descendência, residência por trabalho, visto D7 ou D8, ligação efetiva à comunidade portuguesa, ou planeamento familiar de longo prazo. O Studio Cidadania oferece assessoria especializada para mapear o caminho mais sólido conforme a sua situação concreta, evitando passos retrabalháveis e prazos perdidos.
Fonte oficial: Instituto Nacional de Estatística (INE), "Estimativas de População Residente – 2025" e revisão da série 2021–2024, destaque publicado a 22 de junho de 2026 (ISSN 2184-4534), disponível em ine.pt. Compilação e análise editorial: Studio Cidadania.
Sobre a autora

Dra. Débora Friedrich Izquierdo
Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania
Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.
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